Postado por: Thiago Fontes
O rádio não existiria sem a indústria fonográfica e a indústria tecnológica, sendo o
disco o que mais diz respeito ao dia-a-dia do rádio. Atualmente, inúmeras emissoras
veiculam programas do tipo A Hora da Saudade, divulgando a música do passado. Não
deixa de ser uma forma de preservação da memória da música popular brasileira, não
obstante o perigo de estarem, estes programas, em vias de extinção com a mediocridade que
assola grande parte da programação da radiodifusão brasileira. Na sua maior parte, são
apenas programas saudosistas, não trazendo grandes informações sobre o momento
histórico ou da própria música, fatores importantes para o ouvinte, em especial para os
jovens, a fim de que eles entendam as transformações e evolução da cultura brasileira.
Segundo pesquisadores e historiadores, não houve por parte das gravadoras o propósito de
colaborar no levantamento da história musical do Brasil.
Até os anos 30 todas as emissoras brasileiras funcionaram sem regulamentação
oficial da atividade de radiodifusão pelo Governo Federal. No início daquela década, foi
instituída a Comissão Técnica do Rádio, cujo objetivo foi examinar os assuntos
relacionados à esse novo meio de comunicação.
Chegada do disco ao país
As primeiras unidades de gramofones apareceram no Rio de Janeiro, importados
pelo norte-americano James Mitchel. Tinha início então, em 1898 a era das gravações para
venda, feitas por Frederico Figner, a partir de cilindros previamente gravados que podiam
ser raspados e polidos para novas gravações já que eram feitos de cera. Thomas Edison é
considerado o criador da primeira gravação em cilindros.
Dono da Casa EDISON, a primeira instalada no Brasil em 1900, entre 1902 e 1932,
Figner monopolizou a indústria de discos lançados e comercializados no Brasil e foi um
lançador de talentos numa época em que o rádio ainda não havia se instalado. Surgiu em
1912 o primeiro estabelecimento industrial de discos da América do Sul, a fábrica Odeon,
que chegou a produzir mais de um milhão de discos por ano.
Algumas obras sobre a música brasileira contam que Figner não costumava pagar
compositores e músicos ferindo, assim, os princípios básicos dos direitos autorais. Já o
pesquisador e fotógrafo carioca Humberto Moraes Francheschi conta que Figner comprava
dos autores os direitos de gravação. A primeira gravação comercializada no Brasil foi o
lundu Isto é bom, de Xisto Bahia, gravada em 1902 por Bahiano, com acompanhamento de
violões. Era época ainda das gravações mecânicas, sem microfones, mixers e
amplificadores, por isso os discos da gravadora de Figner tinham um anúncio feito por um
locutor para informar o público sobre a música. A finalidade era para que os técnicos de
som em Berlim, que prensavam e etiquetavam os discos, pudessem saber de que música se
tratava e não se enganar na hora de etiquetar o disco. Na fase das gravações mecânicas, os
locutores gritavam em frente à boca dos gramofones e os cantores abriam as cordas vocais
a todo volume para impressionar a camada virgem de goma laca dos discos 78 rotações. O
Brasil foi o primeiro país do mundo responsável pela produção de um disco com gravações
de ambos os lados. Trata-se da citada canção Isto é Bom.
Fonte:
http://www.redealcar.jornalismo.ufsc.br/resumos/R0130-1.pdf
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